
1º Capítulo - Onde foi parar a Rainha?
Alice sempre acreditou que os sonhos eram tudo o que nós tínhamos mais perto da vida perfeita. Vivia num mundo perdido e oculto: sua imaginação. Essa era a coisa que mais a deixava feliz. Sua mãe sempre dizia que seus sonhos poderiam se realizar, e que tudo podia ser real. Mas poderia em algum lugar do mundo existir o País das Maravilhas?
Seu pai desligou a luz e encostou a porta. Alice, como de rotina, fechou os olhos e apertou o máximo que pôde, e o coelho então passou: Atrasado e apressado.
- Vamos, vamos Alice! – Ele disse, sumindo dentro da fumaça.
Ventou frio e forte, e Alice se envolveu com os próprios braços, numa tentativa frustrada de se aquecer.
Caiu novamente no buraco escuro e familiarizado, cheio de prateleiras, objetos diferentes e livros. Era algo com que ela convivia todas as noites, era um sonho, um lugar que pertencia só a ela e claro, ao Coelho Branco, Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março, Rainha de Copas, Rainha Branca, o Gato Risonho e outros...
- Alice, querida, que bom que chegou. – A Rainha Branca, com sua voz doce e amiga, dentro de um vestido perolado lindo, sorria. – De novo com essas roupas desproporcionais – Acrescentou – Venha, vamos arrumar algo.
- Poderiam parar com essa coisa de me aumentar e me diminuir.
- É uma consequência, foi você quem nos criou assim. Talvez seja mais fácil aprontar um guarda-roupa para todos os seus tamanhos. Agora vamos, minha irmã deseja te ver. Ao Palácio de Copas!
Ao chegar lá, Alice avistou alguém diferente.
- Hei, Rainha Branca, quem é aquele?
- Você deveria saber, somos todos criados por você.
- Cortem-lhe a cabeça! - Rainha de Copas, claro. Seus servos foram em direção ao homem diferente e novo no lugar.
Alice tentou de alguma forma focar em seu rosto, mas algo a impedia. Havia uma “película” que não a deixava ver quem era.
E logo era manhã, a voz de sua mãe interrompeu seu sono.
- Querida, levante. Precisa ir à aula.
- Estou indo.
“Que noite rápida” pensou consigo. Não houve lutas perigosas, nada de riscos. Tudo foi tão normal no País das Maravilhas...
Em poucos minutos ela estava a caminho da escola, e o Coelho passou.
- Atrasadinho. “Cortem-lhe a cabeça!” – disse baixinho com um sorriso disfarçado, e logo se recordou da ultima vez em que ouvira isso, e fora com o fruto de sua imaginação, de rosto oculto. – Espero que não tenham lhe cortado a cabeça. – Pensou sozinha.
A aula passou rápida, sem concentração de sua parte. Logo chegou em casa e correu para o seu quarto, fechou os olhos. “Cortem-lhe a cabeça”, a voz ecoou baixo, e mais nada.
- Rainha, Rainha, me leve!
- O que está dizendo filha? - Seus olhos abriram rápido, e sua mãe esperava uma resposta. – Devia parar com essa mania de País das Maravilhas, querida. Você fará 12 anos na semana que vem, me preocupo porque já é hora de começar a sonhar com seu marido e sua casa, é isso que as pessoas normais fazem. Não com o dia que um Chapeleiro Maluco te fará um chapéu azul e te levará para um Castelo Vermelho.
- Castelo de Copas.
- Como quiser.
- Você sempre disse que isso poderia existir.
- É como acreditar em Papai Noel, só existe enquanto você tem idade para acreditar. – Concluiu, e se retirou do quarto.
E Alice, tirando as botas da escola, deitou-se em sua cama e tentou pensar em sua casa e seu marido, como sua mãe lhe orientara. Mas é claro, não era tão divertido.
A noite mais uma vez chegou.
- Bom País das Maravilhas, querida. – Disse seu pai, preparando-se para levantar da cama onde estava sentado.
- Não pensa como a mamãe? Não acha que preciso sonhar com a minha futura casa e meu marido? Faço 12 anos na semana que vem, é hora de dar adeus ao País das Maravilhas.
- Felizes são aqueles que mantêm a imaginação de uma criança. Casa, marido, filhos e uma sociedade a enfrentar, só te faz regredir. Esse é seu mundo, algo que você não precisa dividir com ninguém. E cá entre nós... Como pai, eu prefiro que você continue no País das Maravilhas, a querer pensar em seu marido. – Ele soltou uma risada baixa, e Alice se distraiu ao vê-lo sorrir.
- Aconteceu uma coisa terrível noite passada!
- O que?!
- Alguém invadiu meu sonho. Era um rosto diferente, sinto medo. Se for um caçador querendo capturar o Coelho Branco? Atrasado, medroso e apressado como ele, só existe um em todo o mundo. E se for um ladrão com o plano de roubar todas as invenções do Chapeleiro Maluco? Porque papai, você sabe como está o mundo hoje em dia, e lá existe paz. – Alice assustava, fitava o chão, eufórica com todas as possibilidades.
- “Cortem-lhe a cabeça!” Mandona e arrogante aquela Rainha de Copas. – Ele sorriu mais uma vez. – Resolvi dar uma passadinha lá, e é bem bonito, você tem uma ótima imaginação.
- Mas como...? Você nunca viu.
- Eu criei da minha forma, através de algumas coisas que você me contou ao longo desses anos, e compartilhamos do mesmo sonho. Não vou continuar a frequentar o País das Maravilhas, afinal, se não fosse o despertador eu poderia estar sem a cabeça, eles realmente não permitem visitantes. Graças à você e sua incrível imaginação, agora vou poder voltar ao meu “Mundo das Aventuras”, estou ansioso para reencontrar meu cavalo amigo, e conversar com as árvores do bosque.
- Já teve um mundo? – Feliz com a nova descoberta, ela se interessou em saber mais.
- Vários! Agora durma, meu bem.
- Boa noite.
Desligou a luz, e Alice fechou os olhos, enquanto ele encostava a porta.
- Hei Alice, venha!
- Hum, Rainha de Copas? Nunca veio me buscar...
- Sem questionamentos, sua cabeça é bem atrativa mocinha.
- Desculpe.
A Rainha pulou no buraco, agora em baixo da cama. E Alice foi, dessa vez, agarrando um livro, que com a queda, levantou muita poeira.
A Rainha tossiu, e disse:
- Não fique pegando essas coisas, nunca se sabe o que se encontra aí dentro.
- O que pode existir dentro dele?
- Tudo, ora bolas! É um livro, veio da imaginação de alguém, existem outros mundos ocultos dentro dele.
- Livros são bons.
- Bons para quem os lê, não para quem vive dentro deles.
- Você não vive dentro de um.
- Vivo dentro da sua mente, existe coisa pior? Não sei que tipo de coisa te faz ser tão criativa, menina. Agora vá, troque suas roupas, não vai sair daqui arrastando cinco metros de vestido azul. - Como a Rainha Branca havia dito, agora Alice tinha um guarda-roupas de miniaturas, e outro, as gigantes. - Vista o vermelho, é a minha cor preferida. - Com um breve sorriso, e uma expressão dócil ela o olhava. Não era uma descoberta, todos podíamos ver qual era a sua preferência em termos de cores. - Minha irmã falou com você, não é? Disse que precisavamos conversar.
- Diga...
- Alice, não pode sair por aí dizendo tudo o que você imagina e sonha. Seu pai esteve aqui ontem, e sua mãe tentou entrar de tarde, mas que pena, ela tem uma imaginação pequena demais, precisava ver como era o País das Maravilhas pelos olhos dela. Já o seu pai, bem, por ele podemos saber a quem você puxou, vocês imaginam coisas perfeitamente boas. E ele é a maior parte do problema.
- Meu pai? Por quê?
- Se for procurar, o Chapeleiro não está mais aqui, nem minha irmã, e nem o gato. Algo está os tirando desse mundo, isso nos espanta.
- Mas como ele interfere nisso? Não entendo.
- Desculpe-me, mas a mente de sua mãe é pequena demais para nos enviar a outro mundo. Só pode ser ele.
- Vou descobrir.
E em segundos, a Rainha também sumiu.
Alice sempre acreditou que os sonhos eram tudo o que nós tínhamos mais perto da vida perfeita. Vivia num mundo perdido e oculto: sua imaginação. Essa era a coisa que mais a deixava feliz. Sua mãe sempre dizia que seus sonhos poderiam se realizar, e que tudo podia ser real. Mas poderia em algum lugar do mundo existir o País das Maravilhas?
Seu pai desligou a luz e encostou a porta. Alice, como de rotina, fechou os olhos e apertou o máximo que pôde, e o coelho então passou: Atrasado e apressado.
- Vamos, vamos Alice! – Ele disse, sumindo dentro da fumaça.
Ventou frio e forte, e Alice se envolveu com os próprios braços, numa tentativa frustrada de se aquecer.
Caiu novamente no buraco escuro e familiarizado, cheio de prateleiras, objetos diferentes e livros. Era algo com que ela convivia todas as noites, era um sonho, um lugar que pertencia só a ela e claro, ao Coelho Branco, Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março, Rainha de Copas, Rainha Branca, o Gato Risonho e outros...
- Alice, querida, que bom que chegou. – A Rainha Branca, com sua voz doce e amiga, dentro de um vestido perolado lindo, sorria. – De novo com essas roupas desproporcionais – Acrescentou – Venha, vamos arrumar algo.
- Poderiam parar com essa coisa de me aumentar e me diminuir.
- É uma consequência, foi você quem nos criou assim. Talvez seja mais fácil aprontar um guarda-roupa para todos os seus tamanhos. Agora vamos, minha irmã deseja te ver. Ao Palácio de Copas!
Ao chegar lá, Alice avistou alguém diferente.
- Hei, Rainha Branca, quem é aquele?
- Você deveria saber, somos todos criados por você.
- Cortem-lhe a cabeça! - Rainha de Copas, claro. Seus servos foram em direção ao homem diferente e novo no lugar.
Alice tentou de alguma forma focar em seu rosto, mas algo a impedia. Havia uma “película” que não a deixava ver quem era.
E logo era manhã, a voz de sua mãe interrompeu seu sono.
- Querida, levante. Precisa ir à aula.
- Estou indo.
“Que noite rápida” pensou consigo. Não houve lutas perigosas, nada de riscos. Tudo foi tão normal no País das Maravilhas...
Em poucos minutos ela estava a caminho da escola, e o Coelho passou.
- Atrasadinho. “Cortem-lhe a cabeça!” – disse baixinho com um sorriso disfarçado, e logo se recordou da ultima vez em que ouvira isso, e fora com o fruto de sua imaginação, de rosto oculto. – Espero que não tenham lhe cortado a cabeça. – Pensou sozinha.
A aula passou rápida, sem concentração de sua parte. Logo chegou em casa e correu para o seu quarto, fechou os olhos. “Cortem-lhe a cabeça”, a voz ecoou baixo, e mais nada.
- Rainha, Rainha, me leve!
- O que está dizendo filha? - Seus olhos abriram rápido, e sua mãe esperava uma resposta. – Devia parar com essa mania de País das Maravilhas, querida. Você fará 12 anos na semana que vem, me preocupo porque já é hora de começar a sonhar com seu marido e sua casa, é isso que as pessoas normais fazem. Não com o dia que um Chapeleiro Maluco te fará um chapéu azul e te levará para um Castelo Vermelho.
- Castelo de Copas.
- Como quiser.
- Você sempre disse que isso poderia existir.
- É como acreditar em Papai Noel, só existe enquanto você tem idade para acreditar. – Concluiu, e se retirou do quarto.
E Alice, tirando as botas da escola, deitou-se em sua cama e tentou pensar em sua casa e seu marido, como sua mãe lhe orientara. Mas é claro, não era tão divertido.
A noite mais uma vez chegou.
- Bom País das Maravilhas, querida. – Disse seu pai, preparando-se para levantar da cama onde estava sentado.
- Não pensa como a mamãe? Não acha que preciso sonhar com a minha futura casa e meu marido? Faço 12 anos na semana que vem, é hora de dar adeus ao País das Maravilhas.
- Felizes são aqueles que mantêm a imaginação de uma criança. Casa, marido, filhos e uma sociedade a enfrentar, só te faz regredir. Esse é seu mundo, algo que você não precisa dividir com ninguém. E cá entre nós... Como pai, eu prefiro que você continue no País das Maravilhas, a querer pensar em seu marido. – Ele soltou uma risada baixa, e Alice se distraiu ao vê-lo sorrir.
- Aconteceu uma coisa terrível noite passada!
- O que?!
- Alguém invadiu meu sonho. Era um rosto diferente, sinto medo. Se for um caçador querendo capturar o Coelho Branco? Atrasado, medroso e apressado como ele, só existe um em todo o mundo. E se for um ladrão com o plano de roubar todas as invenções do Chapeleiro Maluco? Porque papai, você sabe como está o mundo hoje em dia, e lá existe paz. – Alice assustava, fitava o chão, eufórica com todas as possibilidades.
- “Cortem-lhe a cabeça!” Mandona e arrogante aquela Rainha de Copas. – Ele sorriu mais uma vez. – Resolvi dar uma passadinha lá, e é bem bonito, você tem uma ótima imaginação.
- Mas como...? Você nunca viu.
- Eu criei da minha forma, através de algumas coisas que você me contou ao longo desses anos, e compartilhamos do mesmo sonho. Não vou continuar a frequentar o País das Maravilhas, afinal, se não fosse o despertador eu poderia estar sem a cabeça, eles realmente não permitem visitantes. Graças à você e sua incrível imaginação, agora vou poder voltar ao meu “Mundo das Aventuras”, estou ansioso para reencontrar meu cavalo amigo, e conversar com as árvores do bosque.
- Já teve um mundo? – Feliz com a nova descoberta, ela se interessou em saber mais.
- Vários! Agora durma, meu bem.
- Boa noite.
Desligou a luz, e Alice fechou os olhos, enquanto ele encostava a porta.
- Hei Alice, venha!
- Hum, Rainha de Copas? Nunca veio me buscar...
- Sem questionamentos, sua cabeça é bem atrativa mocinha.
- Desculpe.
A Rainha pulou no buraco, agora em baixo da cama. E Alice foi, dessa vez, agarrando um livro, que com a queda, levantou muita poeira.
A Rainha tossiu, e disse:
- Não fique pegando essas coisas, nunca se sabe o que se encontra aí dentro.
- O que pode existir dentro dele?
- Tudo, ora bolas! É um livro, veio da imaginação de alguém, existem outros mundos ocultos dentro dele.
- Livros são bons.
- Bons para quem os lê, não para quem vive dentro deles.
- Você não vive dentro de um.
- Vivo dentro da sua mente, existe coisa pior? Não sei que tipo de coisa te faz ser tão criativa, menina. Agora vá, troque suas roupas, não vai sair daqui arrastando cinco metros de vestido azul. - Como a Rainha Branca havia dito, agora Alice tinha um guarda-roupas de miniaturas, e outro, as gigantes. - Vista o vermelho, é a minha cor preferida. - Com um breve sorriso, e uma expressão dócil ela o olhava. Não era uma descoberta, todos podíamos ver qual era a sua preferência em termos de cores. - Minha irmã falou com você, não é? Disse que precisavamos conversar.
- Diga...
- Alice, não pode sair por aí dizendo tudo o que você imagina e sonha. Seu pai esteve aqui ontem, e sua mãe tentou entrar de tarde, mas que pena, ela tem uma imaginação pequena demais, precisava ver como era o País das Maravilhas pelos olhos dela. Já o seu pai, bem, por ele podemos saber a quem você puxou, vocês imaginam coisas perfeitamente boas. E ele é a maior parte do problema.
- Meu pai? Por quê?
- Se for procurar, o Chapeleiro não está mais aqui, nem minha irmã, e nem o gato. Algo está os tirando desse mundo, isso nos espanta.
- Mas como ele interfere nisso? Não entendo.
- Desculpe-me, mas a mente de sua mãe é pequena demais para nos enviar a outro mundo. Só pode ser ele.
- Vou descobrir.
E em segundos, a Rainha também sumiu.
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